domingo, 22 de maio de 2011

Da série: uma carta aos domingos

Publico hoje apenas a primeira parte da carta de Nietzsche a Erwin Rohde, na qual N discute detalhes do texto que Rohde estava preparando como uma réplica ao ataque desferido por Wilamowitz-Möllendorf ao Nascimento da Tragédia em seu panfleto intitulado Zukunftsphilologie. Na carta Nietzsche se concentra em detalhes filológicos e procura fornecer a Rohde elementos para rebater algumas acusações infundadas de W-M referentes às suas concepções acerca da pré-história do gênero trágico.
A literatura secundária recente tem procurado desfazer o mito segundo o qual com O Nascimento da Tragédia Nietzsche teria violado os padrões de cientificidade estabelecidos pela filologia crítica de sua época. Estudos como os de Marcelo Gigante, Christian Benne e James Porter mostram que a polêmica entre Wilamowitz-Möllendorf e Nietzsche não pode ser vista como uma polêmica entre a filologia científica e a apropriação ético-estética da antiguidade. Esta carta corrobora a posição recente da literatura secundária, pois nela Nietzsche insiste que a visão da antiguidade exposta no NT é uma visão que se sustenta e que pode ser defendida de um ponto de vista exclusivamente filológico. Ao longo da semana eu espero poder atualizar este post, acrescentar algo a este comentário introdutório e terminar a tradução da carta. Sugestões são sempre bem-vindas. Um bom final de domingo a todos.


Carta de Nietzsche a Erwin Rohde, Basiléia, 16 de julho de 1872.

Aqui tens o título, meu querido e bom amigo; uma invenção de meu companheiro de residência, o prof. Overbeck, acolhida com júbilo e clamor zombeteiro:

A pseudofilologia
do Dr. U. v. Wilamowitz-Möllendorf.
Carta aberta de um filólogo
a Richard Wagner

Seu nome virá então somente no final da carta, ou seja, na conclusão (mas inteiro e com todas as distinções!) Na conclusão você poderá a seu bel prazer se referir ocasionalmente a Wilamowitz como "pseudofilólogo". Ele vale para nós como representante de uma "falsa" filologia e o sucesso de seu escrito ocorrerá também na medida em que ele apareça como tal para os outros filólogos. Quero escrever uma vez mais a Ritschl, em tom grave e penetrante, para que ele abandone a incompreensível ideia de que nós tínhamos em vista um ataque à ciência da antiguidade (ou à história!). Eu havia dito a ele apenas que você pretendia liquidar com este rapazote topetudo em termos estritamente filológicos. Mas a carta de Wagner o horrorizou de tal forma, que ele agora tomou pavor de todos nós. Por isso a preocupação com a "filologia teubneriana"! Eu te recomendo usar a expressão apenas entre quatro paredes.

No que diz respeito à afirmação de Wilamowitz sobre Aristarco e os titãs, não consigo encontrar nada a que ele pudesse querer se referir. Welcker Mythologie I 262 foi quem se pronunciou de forma mais explícita sobre o caráter pré-homérico das lutas dos titãs. Que não me venham mais uma vez com a velha e frouxa asserção do mundo homérico como a juventude, a primavera dos povos e assim por diante! Tal como tem sido formulada, esta é uma asserção falsa. Que este mundo tenha sido precedido por lutas prodigiosas e selvagens, nas quais dominavam a barbárie e crueldade mais tenebrosas, que Homero se ergue como vencedor ao final deste período longo e desolado é uma das minhas mais firmes convicções. Os gregos são mais velhos do que se pensa. Pode-se falar da primavera, desde que antes dela coloquemos o inverno; mas este mundo de pureza e beleza certamente não caiu do céu. Considero minha concepção do sátiro como algo muito importante neste domínio de investigações; e isto é algo de substancialmente novo, não é mesmo? - Causou grande escândalo o fato de que eu tenha dito que o sátiro, em sua representação mais antiga, tem pernas de bode; é totalmente estúpido recorrer exclusivamente à arqueologia para se opor a esta tese. A arqueologia conhece apenas o tipo enobrecido do drama satírico; antes disso encontra-se a representação dos bodes como os servidores de Dioniso e dos saltos de bodes de seus adoradores. As pernas de bodes são o propriamente característico das representações mais antigas; e sem qualquer prova arqueológica eu gostaria de sustentar que os Ούτιδανοί άμηχανόεργοι de Hesíodo tinham pés de bode, isto é, eram capripedes como diz Horácio od. 2,2. e outros poetas (mesmo poetas gregos). σάτυροι explico, assim como τίτuρoι como reduplicação da raíz Τερ (assim como Σίσυφος se relaciona com σοφός). Τορός penetrante, agudo; σάτυροι como „aqueles de grito penetrante”, como epíteto dos bodes, do mesmo modo que μηχάδες o é para as cabras. Eu creio que é uma esplêndida equação: τορός está para τίτυρος = σοφός está para σίσυφος. Se te agrada, você pode citá-la. É óbvio que eu não confundo o sátiro com Pã, como Wil. me acusa [...].

terça-feira, 17 de maio de 2011

Duplo lançamento de "Nietzsche e as Ciências" em Belo Horizonte

Na próxima semana, eu e o professor Miguel Angel de Barrenechea (UNIRIO) estaremos lançando o volume Nietzsche e as Ciências na Livraria Mineiriana, Rua Paraíba, 1419, Funcionários, Belo Horizonte. O evento é uma organização conjunta do PET-Filosofia da UFMG e do Grupo Nietzsche da UFMG, e ocorre na quarta-feira, dia 25 de maio, a partir das 19:00h. O volume reúne as contribuições da sexta edição do Assim Falou Nietzsche, que ocorreu na UNIRIO em novembro de 2009. O convite para o lançamento encontra-se no site do PET-Filosofia/UFMG.
Durante o evento o público poderá participar de uma conversa informal sobre o tema no mezanino da Livraria Mineiriana, com a presença dos professores Miguel Angel e Olímpio Pimenta (UFOP). Os interessados em uma discussão mais esotérica sobre o tema e o estado atual da literatura secundária estão convidados para o lançamento acadêmico do volume, que ocorrerá na quinta, dia 26 de maio, às 10:00 no auditório Baesse, 4º Andar da FAFICH/UFMG.

domingo, 1 de maio de 2011

Da série: uma carta aos domingos.

Publico hoje, sem me estender muito nos comentários, um conjunto de aforismos que Nietzsche compôs na forma de pequenos bilhetes para Lou von Salomé em Tautenburg, entre os dias 08 e 24 de agosto de 1882. O primeiro grupo trata do heroísmo, e apresenta formulações muito inspiradas sobre o tema, que de resto será retomado e se tornará decisivo na nova fase do pensamento de Nietzsche, que se inicia com a publicação do ZA I. A ética do heroísmo não corresponde ao ideal perfeccionista de Nietzsche: o herói é antes um instrumento que se sacrifica em nome do homem de exceção, e que encontra neste sacrifício o sentido (limitado) de sua grandeza. O segundo grupo trata do estilo. Embora reconheça que o ponto é polêmico, creio que parte do que Nietzsche diz sobre o tema neste bilhete a Lou corrobora a posição que apresentei no meu último post de domingo passado: o estilo diz respeito antes de tudo às leis de organização do material verbal da linguagem, e só indiretamente (muito indiretamente) às escolhas relativas ao modo de exposição de argumentos e às chamadas figuras de linguagem.
Para finalizar o meu comentário de hoje, cabe observar que ao afirmar que se tratava de um conjunto de aforismos eu tinha em mente o sentido preciso do termo 'aforismo', ou seja, não o sentido um tanto frouxo em que Nietzsche utiliza o termo para nomear o seu modo mais usual de exposição, que está mais próximo de um fragmento no sentido do primeiro romantismo alemão, ou de um ensaio extremamente condensado, que ele foi talvez o único a cultivar e certamente o primeiro a conduzir à sua quase perfeição literária e argumentativa. O aforismo no sentido genuíno do termo designa uma forma literária não argumentativa, assertiva, quase imperativa, indiscernível da máxima e da sentença, que equilibra elementos do chiste e do dito enigmático. Nietzsche não foi um exímio praticante deste gênero literário, na minha opinião. Mas aqueles que ele redigiu para Lou são bastante instigantes.
Comentários e sugestões para aprimorar a tradução são sempre bem-vindos. Um ótimo fim de domingo para todos.

Nietzsche a Lou von Salomé, entre 08 e 24 de agosto de 1882.

1. Homens que aspiram à grandeza geralmente são homens maus; aspirar à grandeza é o único modo que têm de suportar a si mesmos.
2. Aquele que em Deus já não encontra a grandeza não a encontra em parte alguma, e precisa ou negá-la ou -- criá-la (ajudar a criá-la).
3. +++
4. A imensa expectativa em relação ao amor sexual corrompe nas mulheres o olhar para perspectivas mais distantes.
5. Heroísmo -- é a disposição de um homem que aspira a um fim em comparação com o qual ele mesmo nada conta. Heroísmo é a boa vontade para com o absoluto ocaso de si mesmo.
6. O oposto do ideal heróico é o ideal do desenvolvimento harmônico do todo -- um belo oposto e muito mais desejável! Mas este é um ideal para homens fundamentalmente bons (Goethe, p. E.).
Para homens o amor é algo muito diferente do que para as mulheres. Para a maioria o amor pode bem ser uma espécie de avareza; para o restante, o amor é a adoração de uma divindade sofredora e oculta.
Se o amigo Paul Rée lesse isso, ele me tomaria por louco.
Como vai? -- Nunca houve em Tautenburg um dia mais belo do que hoje. O ar claro, amedo, vigoroso: assim como todos nós deveríamos ser.
Cordialmente,
F.N.

A Lou Salomé em Tautenburg (Tautenburg, entre os dias 08 e 24 de agosto de 1882).

Para a doutrina do estilo
1. A primeira coisa que se faz necessária é a vida: o estilo deve viver.
2. O estilo deve ser adequado a você em relação a uma pessoa muito concreta com a qual você quer se comunicar (lei da dupla relação).
3. Antes que se esteja autorizado a escrever é preciso saber com precisão: "eu diria e exporia oralmente esta matéria assim e assado". O escrever precisa ser uma imitação.
4. Como faltam àquele que escreve muitos dos recursos disponíveis àquele que expõe oralmente, é preciso que ele adote como modelo uma forma de exposição oral muito expressiva : sua cópia, ou seja, o escrito já saíra necessariamente muito mais empalidecida.
5. A riqueza de vida se revela na riqueza de gestos. É preciso aprender a sentir tudo como gestos: a extensão e brevidade das frases, a pontuação, a escolha das palavras, as pausas, a sequência dos argumentos --.
6. Cuidado com o período! Direito ao período têm somente aquelas pessoas que também ao falar têm um grande fôlego. Para a maior parte das pessoas o período é uma afetação.
7. O estilo deve demonstrar que se crê nos seus pensamentos, e que eles são sentidos, e não somente pensados.
8. Quanto mais abstrata a verdade que se pretende ensinar, tanto mais necessário que primeiramente se seduzam os sentidos para ela.
9. O tino do bom prosador na escolha de seus meios consiste em acercar-se intimamente da poesia, sem jamais transbordar para o poético.
10. Não é gentil nem prudente antecipar para o leitor as mais singelas objeções. É muito gentil e muito prudente deixar a cargo do leitor expressar por si mesmo a quintessência de nossa sabedoria.
F.N.
um bom dia,
minha querida Lou!

domingo, 24 de abril de 2011

Da série: uma carta aos domingos

Selecionei para o domingo de páscoa trechos de uma carta que Nietzsche envia a Lou provavelmente no dia 16 de setembro de 1882 e que nos mantém, de forma um tanto enviesada, no tema dos últimos posts: o de sua relação com Platão e com o platonismo. Nestes dois trechos que selecionei Nietzsche visita um dos temas centrais de sua concepção da filosofia: seu valor confessional. As grandes filosofias são concebidas por Nietzsche como relatos confessionais involuntários. Esta concepção bastante pessoal da filosofia o leva, por sua vez, a propor uma historiografia filosófica igualmente pouco convencional, já que todos os esforços desta historiografia deveriam convergir para a tarefa de desvendar a personalidade do filósofo por trás de sua doxografia e dos demais registros de sua atividade. Nietzsche de fato praticou esta forma de historiografia aplicada à filosofia antiga nos textos (tantas vezes revistos) e nas notas destinadas aos cursos sobre os filósofos pré-platônicos e aos cursos de introdução aos diálogos de Platão. Um dos principais recursos ou ferramentas metodológicas mobilizadas por Nietzsche para levar a bom termo esta tarefa historiográfica específica (de reconstituição de uma personalidade filosófica) foi a anedota. Nietzsche chegou ao ponto de afirmar, numa espécie de prefácio para a versão destinada à publicação de seus estudos sobre os filósofos pré-platônicos (A Filosofia na Época Trágica dos Gregos, KSA, I: p. 803), que a sua ambição era reconstruir a imagem destes grandes filósofos a partir de três anedotas. O que pode soar como uma bravata ou boutade nietzscheana é na verdade a expressão de um surpreendente e corajoso desacordo em relação aos preceitos essenciais e à orientação fundamental da chamada historiografia crítica, cujos alicerces encontram-se na obra monumental de Pierre Bayle na virada do século XVII para o XVIII, e cujo detalhamento foi obra da chamada filologia crítica, elaborada por diversas gerações de filólogos universitários alemães. Este movimento de constituição da moderna historiografia crítica teve seu ponto de culminância na geração de Friedrich Ritschl, e conferiu à filologia o status de disciplina exemplar no conjunto das ciências da cultura, que estavam ainda dando os seus primeiros passos. Este movimento em direção a uma atitude mais científica em relação ao passado tendia a substituir a atitude de veneração e confiança em relação à tradição clássica, que marcou a recepção ético-estética da antiguidade clássica pelo classicismo de Weimar, por uma atitude de sistemática cautela e desconfiança e pela busca de procedimentos que permitissem submeter a totalidade dos documentos e registros da antiguidade a um impiedoso escrutínio crítico. Com isso era natural que a função normativa e educativa tradicionalmente associada ao ensino da antiguidade clássica pudesse ser legitimamente submetida a uma análise fria e detalhada de suas pretensões. Nietzsche se formou nesta tradição e esteve em parte imbuído de seus ideais de rigor e controle, o que pode ser evidenciado nos inúmeros póstumos dos anos de formação (1866-1868) que tratam de problemas metodológicos da filologia e de suas pretensões normativas no terreno da educação, assim como nas notas para a projetada extemporânea sobre os filólogos clássicos, que cobrem o período de 1875-1876. Mas o que o ocupou mais profundamente foi a tentativa de repensar as condições sob as quais o ensino da antiguidade clássica poderia manter suas pretensões normativas no terreno da cultura. Neste sentido, poderíamos afirmar que a tarefa de pensar uma historiografia filosófica orientada pela reconstrução da personalidade dos grandes filósofos é uma tomada de posição no interior do debate propriamente normativo, a favor de uma historiografia que não se quer puramente descritiva ou empiricamente orientada, mas que visa à exemplaridade de seus protagonistas e tipos. A tentativa de reabilitar a anedota como um recurso legítimo do historiador para ter acesso ao passado não se dá no plano de uma discussão metodológica acerca da confiabilidade epistêmica deste registro. A anedota não comunica nenhuma verdade empírica ou fatual. Ela é um recurso de condensação, um elemento de simplificação utilizado pela tradição para comunicar uma imagem coletivamente elaborada sobre uma personalidade marcante de sua época e de que o historiador se vale para reconstruir os tipos. Nietzsche usou (e talvez tenha até mesmo abusado) das anedotas produzidas pelos antigos envolvendo a figura de Platão.

A anedota não é, contudo, o único recurso que, segundo Nietzsche, permite ao historiador (normativamente engajado) reconstruir uma individualidade histórica. Uma das razões que levam Nietzsche a conferir imenso valor ao estilo é porque ele estava convicto de que é pelo estilo que temos acesso ao homem. Quando penso na valorização do estilo, não penso nas formas de exposição ou nos gêneros literários ou nos dispositivos retóricos adotados por Nietzsche, mas única e exclusivamente na dimensão pré-argumentativa da linguagem, na linguagem como fenômeno natural, submetida a regras que são mais próprias à música do que à prosa: extensão dos parágrafos, ritmo das frases, tamanho dos signos, andamento, etc. Não creio que Nietzsche pense nos aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos da linguagem (em tudo aquilo que diz respeito às regras convencionais da linguagem) quando ele se refere ao estilo: ele pensa na linguagem como um fenômeno natural, que toca exclusivamente à nossa sensibilidade e que é pura expressividade. Isso nos traz de volta a Platão e à avaliação ambígua desta personagem por parte de Nietzsche. Não há um juízo único de Nietzsche sobre Platão. Em Para Além de Bem e Mal, o maior manifesto de Nietzsche contra o platonismo, o filósofo recorre a uma anedota para registrar esta ambiguidade. No fechamento do aforismo 28, ele diz o seguinte: “nada me fez refletir mais sobre a reserva e a natureza esfíngica de Platão do que esse petit fait, felizmente conservado: que sob o travesseiro do seu leito de morte não se encontrou nenhuma ‘Bíblia’, nada egípcio, pitagórico, platônico – mas sim Aristófanes.” [cit. a partir da tradução de Paulo Cesar de Souza]. E no Crepúsculo dos Ídolos é a vez do estilo servir de apoio para marcar o desacordo fundamental com a personalidade de Platão que caracteriza as últimas obras de Nietzsche: “A respeito de Platão sou fundamentalmente cético e jamais pude partilhar a admiração pelo artista Platão, tradicional entre os eruditos. E nisso estão do meu lado os mais refinados juízes do gosto entre os próprios antigos. Platão, assim me parece, junta confusamente todas as formas de estilo, é o primeiro dédadent do estilo: carrega uma culpa semelhante à dos cínicos que inventaram a satura Menippea. Para achar graça no diálogo platônico, esse tipo de dialética espantosamente presunçoso e infantil, é preciso jamais ter lido os bons franceses – Fontenelle, por exemplo. Platão é entediante.” [cit. a partir da tradução de Paulo Cesar de Souza].


Carta enviada por Nietzsche de Leipzig a Lou von Salomé em Stibbe, provavelmente em 16 de setembro de 1882.

Minha querida Lou, sua ideia de reduzir os sistemas filosóficos aos atos pessoais de seus autores é realmente uma ideia nascida de “cérebros irmanados”; eu mesmo na Basiléia narrava a história da filosofia antiga nestes termos e gostava de dizer aos meus ouvintes: “este sistema está refutado e morto – mas a pessoa por trás dele é irrefutável, a pessoa não pode ser morta” – Platão, por exemplo.

Hoje te envio em anexo uma carta do professor Jacob Burckhardt, a quem você certa vez quis conhecer. Também ele tem algo de irrefutável em sua personalidade; mas justamente por ser um historiador no sentido pleno da palavra (o primeiro entre os vivos), a sua pessoa e o seu modo de ser, que lhe estão eternamente incorporados, não lhe trazem nenhuma satisfação; e a ele agradaria até mesmo muitíssimo se alguma vez pudesse ver com outros olhos, com os meus, por exemplo, como deixa entrever esta carta singular. [...]