O Grupo Nietzsche da UFMG (GruNie) promove entre os dias 02 a 06 de Outubro de 2012 o I Congresso Internacional Nietzsche e a Tradição Filosófica. O evento, realizado em parceria com os programas de Pós-graduação em Filosofia da UFMG e do Mestrado em Estética e Filosofia da Arte da UFOP, terá lugar na FAFICH/Belo Horizonte nos dias 02 a 04 de outubro, e no IFAC/Ouro Preto, nos dias 05 e 06 de outubro. Em sua primeira edição, o evento terá como tema Nietzsche e a Tradição Kantiana. Este tema inclui não apenas as diversas formas de recepção de Kant por Nietzsche (contestação, aceitação, assimilação e reformulação de teses propostas originalmente por Kant nos domínios da filosofia teórica, prática e estética), como também o papel desempenhado por diversos autores do século XIX alemão na mediação desta recepção (Arthur Schopenhauer, Friedrich Albert Lange, Afrikan Spir, Otto Liebmann, Otto Caspari, Herman Helmholtz) e, por fim, uma apreciação da pertinência das críticas de Nietzsche a certos aspectos da filosofia kantiana à luz de releituras contemporâneas do kantismo. Trata-se, por fim, de um congresso internacional que contará entre seus conferencistas principais com pesquisadores de diversos países e nacionalidades, e oriundos dos principais centros de pesquisa dedicados ao filósofo alemão (Holanda, Alemanha, Inglaterra, Itália, Estados Unidos, Portugal, Líbano, Noruega, Brasil).
terça-feira, 29 de maio de 2012
I Congresso Internacional Nietzsche e a Tradição Filosófica: Nietzsche e a Tradição Kantiana
O Grupo Nietzsche da UFMG (GruNie) promove entre os dias 02 a 06 de Outubro de 2012 o I Congresso Internacional Nietzsche e a Tradição Filosófica. O evento, realizado em parceria com os programas de Pós-graduação em Filosofia da UFMG e do Mestrado em Estética e Filosofia da Arte da UFOP, terá lugar na FAFICH/Belo Horizonte nos dias 02 a 04 de outubro, e no IFAC/Ouro Preto, nos dias 05 e 06 de outubro. Em sua primeira edição, o evento terá como tema Nietzsche e a Tradição Kantiana. Este tema inclui não apenas as diversas formas de recepção de Kant por Nietzsche (contestação, aceitação, assimilação e reformulação de teses propostas originalmente por Kant nos domínios da filosofia teórica, prática e estética), como também o papel desempenhado por diversos autores do século XIX alemão na mediação desta recepção (Arthur Schopenhauer, Friedrich Albert Lange, Afrikan Spir, Otto Liebmann, Otto Caspari, Herman Helmholtz) e, por fim, uma apreciação da pertinência das críticas de Nietzsche a certos aspectos da filosofia kantiana à luz de releituras contemporâneas do kantismo. Trata-se, por fim, de um congresso internacional que contará entre seus conferencistas principais com pesquisadores de diversos países e nacionalidades, e oriundos dos principais centros de pesquisa dedicados ao filósofo alemão (Holanda, Alemanha, Inglaterra, Itália, Estados Unidos, Portugal, Líbano, Noruega, Brasil).
domingo, 25 de março de 2012
Tradição e Ruptura: Nietzsche e os Gregos
Segue abaixo as informações detalhadas sobre o evento, assim como a programação:
(clique na imagem para ampliar)
Comissão organizadora:
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Oscar Santos defende sua Dissertação: Natureza e Dinâmica dos valores na filosofia do espírito livre de Nietzsche
A Dissertação trata da natureza e dinâmica dos valores na filosofia do espírito livre de Nietzsche (ou seja, nas obras do chamado período intermediário), e aborda questões tanto de meta-ética quanto de ética normativa presentes nesta fase de sua produção, conferindo um destaque especial ao intrincado diálogo de Nietzsche com os componentes descritivos (a tese do hedonismo psicológico) e normativos (o fator utilitário) do utilitarismo inglês, assim como aos mecanismos de mudança de valores apresentados por Nietzsche na Gaia Ciência.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Alguns congressos sobre Nietzsche esse ano em solo europeu
Aqui vão algumas informações sobre alguns congressos que ocorrerão no início e meados desse ano na Europa. É possível ter uma visão mais ou menos geral de quais são os temas centrais discutidos atualmente na pesquisa Nietzsche em solo europeu.
Em primeiro lugar, a relação entre Nietzsche e Kant continua sendo um dos focos dos debates da atual Nietzsche-Forschung, principalmente de língua inglesa; e não somente no que tange as reflexões sobre teoria do conhecimento e a já constatada herança kantiana do Nietzsche epistemólogo, mas também no que diz respeito aos pontos de contato e às rupturas entre as reflexões éticas de Nietzsche e a ética kantiana. Esse é o tema do workshop que ocorrerá mês que vem na Universidade de Leiden, na Holanda: “Nietzsche the Kantien? Reading Nietzsche and Kant on the Sovereign Individual, Freedom and the Will”, nos dias 11 e 12 de fevereiro.
O workshop é o primeiro de uma série que será realizada em várias universidades européias sobre a relação entre Nietzsche e Kant. O objetivo é trazer uma luz na compreensão da relação entre os dois filósofos no campo da ética, principalmente no interior dos debates da literatura de língua inglesa acerca das suas concepções de “soberania”, “liberdade” e “vontade”. Os workshops pretendem apresentar uma resposta crítica à idéia corrente de que, apesar de suas críticas às noções de vontade livre, responsabilidade moral, causalidade intencional e à noção mesma de sujeito, Nietzsche seria tributário de uma noção kantiana de ação que admite um certo sentido positivo de liberdade, responsabilidade e causalidade intencional, e fundaria uma ética positiva com base nessa noção. O workshop a ser realizado em fevereiro se concentrará nos últimos escritos e desafiará a ênfase dada correntemente à passagem sobre o “indivíduo soberano” na Genealogia da moral, abrindo a discussão para as considerações de Nietzsche sobre a “vontade”, “liberdade” e “soberania” em outras passagens de sua obra publicada e não publicada. O workshop buscará ainda corrigir a caricatura de Kant que o próprio Nietzsche e alguns comentadores apresentam frequentemente e colaborar assim para uma confrontação mais sofisticada e frutífera com Kant e as posições kantianas.
Programa:
Friday 11 February
14.00-15.15 Marco Brusotti (Berlin/Salento), 'Nietzsche on Action and the
Will'
15.45-17.30 Tom Bailey (John Cabot and LUISS, Rome), 'Nietzsche's Kantian
Will', & Herman Siemens (Leiden), 'Kant's "Respect for the Law"
as "Feeling of Power": On (the Illusion of) Sovereignty'
Saturday 12 February
9.00-10.15 Paul Katsafanas (Boston), ‘Nietzsche and Kant on the Passions’
10.45-12.00 Simon Robertson (Stirling), ‘Nietzsche versus Kant on Moral
Psychology and Normativity’
13.15-14.30 João Constancio (Lisbon), 'Nietzsche on Freedom as Autonomy'
15.00-16.15 Sieriol Morgan (Bristol), ‘Naturalism and the First-Personal
Foundations of Kantian Ethics'
16.45-18.00 Luca Lupo (Calabria), 'Willing and Time in Nietzsche's
Twilight of the Idols'
Para mais informações e para ler os resumos das comunicações:
http://hum.leiden.edu/philosophy/news-agenda/nietzsche-the-kantian.html
(o texto aqui apresentado é uma versão do texto disponível no site da Universidade de Leiden)
Outro congresso que ocorrerá em meados desse ano em solo europeu é o Congresso Internacional da Nietzsche-Gesellschaft em Naumburg. Trata-se de um congresso bienal no qual são realizadas até 6 sessões diversas de apresentação de trabalhos e discussões. Esse ano, o congresso será realizado entre os dias 01 e 03 de julho e terá como tema: “Nietzsche und das Unbewusste” (Nietzsche e o inconsciente).
A filosofia do inconsciente de Nietzsche é uma pedra miliária no caminho que conduz à modernidade. Entretanto, suas críticas avassaladoras à filosofia da consciência e a inquietante repercussão destas no âmbito da filosofia moral, da teoria do conhecimento, da cultura e da teoria da cultura, ainda não foram sondadas historicamente e sistematicamente de forma satisfatória, tão pouco suas adaptações nas artes visuais, na literatura, na ópera e na música. Diante da conjuntura atual de modelos explicativos psicológico-cognitivos, a filosofia do inconsciente de Nietzsche adquire cada vez mais uma atualidade incontestável na medida em que tem o potencial para funcionar como corretivo crítico frente um naturalismo unilateral e reducionista.
A filosofia do inconsciente de Nietzsche levanta questões sobre a relação entre o “eu” e o “si mesmo” e sobre os limites entre intencionalidade e racionalidade, o papel dos impulsos, instintos e afetos na cultura, assim como sobre as consequências psíquicas e culturais de seu recalcamento e as formas de expressão e representação de energias físicas e psíquicas nas artes. A esse âmbito de problemas pertence ainda a relação entre Nietzsche e a psicanálise, a psicologia, a psicofísica e os gender studies.
São bem vindas contribuições que analisem a filosofia do inconsciente de Nietzsche em suas diversas matizes e reflitam assim sobre sua proximidade e diferença com relação à teoria do inconsciente de Freud, mas que acompanhem também as vertentes tradicionais de Leibniz até o presente. Alguns dos principais conferencistas são Jutta Georg, Günter Gödde, Enrico Müller, Jacques Le Rider e Jean-Claude Wolf.
Para mais informações e para visualizar o programa (que deve estar disponível a partir de meados de maio, quando terminam as inscrições para o congresso):
http://www.nietzsche-gesellschaft.de/veranstaltungen/jahrestagung/
http://www.nietzsche-news.org/index.php?page=nnc/news&id=3059
(o texto aqui apresentado é uma versão do texto disponível no site do Nietzsche-News)
Por fim, ocorrerá novamente em julho desse ano, entre os dias 13 e 15, o congresso internacional do GIRN (Grupo Internacional de Investigações sobre Nietzsche), cujo tema será: “Os prefácios de Nietzsche”. Dessa vez, o congresso será realizado em Greifswald e será ocasião para a despedida do professor Werner Stegmeier, que deixa sua função na Ernst-Moritz-Arndt-Universität Greifswald. O programa é composto em sua maior parte por debates, cujos temas são, respectivamente: “Os cinco prefácios para cinco livros não escritos (1872)”, “Os prefácios para as primeiras edições”, “'O prefácio de Zaratustra' como prefácio” e “Os cinco prefácios para os livros publicados anteriormente (1886)”. O programa conta ainda com uma abertura sobre os prefácios de Nietzsche como problema da Nietzsche-Forschung, o relato dos membros do GIRN sobre suas pesquisas atuais, duas confrontações sobre os temas: “Um filósofo precisa de uma 'tarefa'?” e “Precisamos de uma hierarquia?”, e duas conferências sobre os temas: “O experimento filosófico de Nietzsche com a forma literária do prefácio” e “O ofício da filosofia”, sendo esta última a conferência de despedida do professor Werner Stegmeier.
Para visualizar o cartaz e a programação provisória do congresso:
http://www.europhilosophie.eu/recherche/spip.php?article540
sábado, 11 de dezembro de 2010
Marco Abade defende sua dissertação sobre O Anticristo
Para os membros do Grupo Nietzsche que estiverem presentes à Defesa será uma ocasião para fecharmos com chave de ouro um ano bastante movimentado.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Nietzsche para todos

O professor Olímpio Pimenta, do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), ministra nesta sexta-feira, 29, a partir das 17h, a palestra Nietzsche para todos, no Espaço TIM UFMG do Conhecimento. O evento integra o ciclo Palestras do Conhecimento.
Segundo o palestrante, a complexidade do pensamento de Friedrich Nietzsche (1844-1900) admite inúmeras abordagens. Seu objetivo é dar noção de conjunto e mostrar o itinerário percorrido pelo filósofo para a elaboração dos temas e conceitos que o levaram a suas principais realizações.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
II Colóquio Internacional Nietzsche - UNICAMP
Informamos que o CriM (Grupo Nietzsche: Crítica e Modernidade) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) realizará nos dias 16 e 17 de Novembro o II Colóquio Internacional Nietzsche, como uma extensão do evento maior de Curitiba (já destacado no blog). Trata-se da segunda edição de evento e reúne pesquisadores cujos estudos têm por objeto as questões fundamentais da crítica filosófica à modernidade cultural, com núcleo teórico nas filosofias de Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer e seus desdobramentos na teoria crítica da sociedade e nas ciências humanas contemporâneas. A programação do Colóquio que segue será composta por conferências proferidas pelos convidados estrangeiros e membros do CriM, e por sessões de interpretação conjunta de aforismos selecionados das obras de Friedrich Nietzsche.
sábado, 18 de setembro de 2010
VIII Congresso Nacional de Filosofia Contemporânea e II Encontro do Grupo Crítica e Modernidade (CriM)
Entre os dias 9 e 12 de Novembro, a PUC (PR) promove, simultaneamente, o VIII Congresso Nacional de Filosofia Contemporânea e o II Encontro do Grupo Crítica e Modernidade (CriM). O evento, que tem como tema o Indivíduo e a Crítica à Cultura, contará com a presença de destacados pesquisadores, brasileiros e europeus, da filosofia nietzschiana (abaixo segue os nomes dos conferencistas confirmados). Maiores informações sobre inscrições e submissão de trabalhos podem ser encontradas no site do evento.
CONFERENCISTAS CONFIRMADOS:
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A Vontade em Nietzsche e Schopenhauer
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Assim Falava Zaratustra: Gênese, Estrutura, Interpretação
quarta-feira, 14 de julho de 2010
I Colóquio Nietzsche no Cerrado
O colóquio é parte, ademais, do esforço da Faculdade de Filosofia da UFG, tanto por meio de sua graduação quanto de seu mestrado, por consolidar-se em sua região, mas não apenas, como centro de produção filosófica de qualidade, aspirando impactos promissores tanto na produção filosófica quanto na formação de pessoal qualificado. O colóquio beneficia-se de uma já estabelecida rede de colaboração entre vários pesquisadores brasileiros da obra de Friedrich Nietzsche, materializada em grupos de trabalho, eventos, publicações etc.sexta-feira, 18 de junho de 2010
Defesa de Tese de Doutorado
DEFESA DE TESE DE DOUTORADO
DOUTORANDA: ANA MARTA LOBOSQUE
TÍTULO: “A VONTADE LIVRE EM NIETZSCHE”
DATA: 25/06/2010 - HORÁRIO: 14:00
LOCAL: Auditório Bicalho - FAFICH
BANCA EXAMINADORA:
PROF. DR. OSWALDO GIACOIA JÚNIOR (ORIENTADOR/UNICAMP)
PROF. DR. RODRIGO ANTÔNIO DE PAIVA DUARTE (CO-ORIENTADOR) /UFMG
PROF. DR. FERNANDO EDUARDO DE BARROS REY PUENTE/UFMG
PROF. DR. OLÍMPIO JOSÉ PIMENTA NETO/UFOP
PROF. DR. ROGÉRIO ANTONIO LOPES/UFMG
PROF. DR. MIGUEL ANGEL DE BARRENECHEA/UNIRIO
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Resenha do III Congresso Internacional do GIRN (Parte 2 - Final)
Paralelamente à mesa da manhã do dia 29, apresentada no final da última postagem, houve a mesa “Arte e crítica da decadência” e o atelier intitulado “Decadência e fisiologia da arte”, cujas apresentações (os títulos e os resumos) podem ser vistas no programa e no caderno de resumos nos links postados no comentário à última postagem.
A seção da parte da tarde na qual estive presente foi intitulada: “Moral e espiritualização”, e constou de um atelier (“Espiritualização – Moral como contra-natureza”), do qual fizeram parte Isabelle Wienand e Clademir Luíz Araldi, e da apresentação de André Muniz Garcia, intitulada: “Moral é apenas linguagem de signos, apenas sintomatologia”: a interpretação semiótica de Nietzsche de fatos morais em “O melhorador da humanidade” Nr. 1”. As cominucações do atelier tiveram por tema respectivamente: “O tema da paz de espírito em “Moral como contra-natureza” e “A vontade de poder como “moralização” dos impulsos”. Isabelle Wienand iniciou com sua apresentação do tema da “paz de espírito” (Frieden der Seele, literalmente “paz da alma”), falando sobre a ambivalência da noção a partir do aforismo 3 de “Moral como contra-natureza” e apresentando toda uma gama de fragmentos póstumos de 1885-1888 sobre o tema (entre eles: 49[59] Sept. 1885; 7[6] Ende 1886-Frühjahr 1887; 10[157] Herbst 1887; 11[316] Nov. 1887-März 1888). Clademir Araldi, por sua vez, tratou do problema da ambivalência do termo “espiritualização” (Vergeistigung) em sua relação com a noção de “moralização” a partir do conceito de vontade de poder. A primeira questão através da qual os dois palestrantes foram confrontados veio de Isabelle Wienand, que questionou a aproximação feita por Clademir entre espiritualização e moralização, já que, segundo ela, esses conceitos se referem a pensamentos absolutamente distintos e mesmo contrários. De fato, se por um lado a noção de moralização implica uma referência essencial e evidente ao âmbito da moral (compreendida por Nietzsche como o âmbito da aniquilação dos afetos e das paixões), o termo espiritualização, de importância central nos aforismos 1 e 3 do capítulo em questão, serve para caracterizar exatamente um contra-movimento frente à moral aniquiladora das paixões. É exatamente na medida em que uma natureza decadente não é capaz de estabelecer um compromisso com seus afetos, de resistir às paixões no sentido de não reagir imediatamente e de forma deflagrante a um estímulo (e aqui retornamos ao tema apresentado por Brusotti em sua conferência), que ela tem necessidade da aniquilação das paixões: “il faut tuer les passions”. A espiritualização seria nesse caso a alternativa sadia para o estabelecimento de um “compromisso” com as paixões. A resposta de Clademir consistiu em chamar atenção para o fato de que o termo “moralização”, assim como a noção de “moral”, não devem ser entendidos sempre de um ponto de vista negativo e pejorativo. Existiria em Nietzsche, além da acepção negativa, uma certa compreensão da moral como forma de manifestação positiva da vontade de poder. E então ele apresenta sua tese de base: tendo isso vista, não seria possível compreender o capítulo em questão de CI, e mesmo a obra como um todo, sem ter em mente o conceito de vontade de poder. O fio condutor para a leitura dessa obra deve ser retirado da noção de vontade de poder. É preciso levar em conta que o período de composição de CI é marcado por uma intensa preocupação de Nietzsche com esse conceito, e que este aparece com uma frequência singular nos fragmentos póstumos, apesar de não ser mencionado diretamente no contexto dos aforismos em questão da obra publicada. A réplica de Isabelle Wienand é curta e precisa: mesmo que a noção de moral não seja sempre tomada em uma acepção puramente negativa, este é exatamente o caso no contexto dos aforismos reunidos sob o título “Moral como contra-natureza”. Ou seja, dentro desse contexto, a aproximação entre “moralização” e “espiritualização” seria falha. Num dado momento da discussão, Werner Stegmeier intervém e aponta de forma lúcida um caminho para pensar a questão. Ele sustenta que de fato os conceitos de moralização e espiritualização não se encontram no mesmo campo semântico em Nietzsche, já que a noção de moralização implicaria uma forma de vida comunitária e gregária, ao passo que o termo espiritualização apontaria para uma certa acepção de soberania e de liberdade frente às oscilações das forças, pulsões e afetos. Ambos os conceitos, porém, podem ser referidos à vontade de poder. André Muniz também se mostrou reticente à tese de que só podemos compreender CI referindo as ideias ali presentes à noção de vontade de poder, e perguntou ainda sobre uma possível relação entre as expressões: “espiritualização das paixões” (af.1), “espiritualização da sensibilidade” como “amor” e “espiritualização da inimizade” (af. 3) por um lado, e o par conceitual “grande amor” / “grande desprezo” por outro lado, noções que, em Nietzsche, aparecem lado a lado em algumas passagens e que sugerem enigmaticamente, em uma delas, uma compreensão do grande amor como grande desprezo. Chamou-se ainda a atenção para o acento colocado por Nietzsche sobre a noção de espiritualização nestas passagens, principalmente a partir da expressão “espiritualização da sensibilidade”, tendo em vista que o que encontramos frequentemente em sua obra é muito mais um apelo para a sensibilização (Versinnlichung). Em que sentido deveríamos, pois, entender que a espiritualização das paixões corresponde a um nível de vida superior?
A sequência da sessão foi dedicada à comunicação de André Muniz Garcia, doutorando da UNICAMP. Infelizmente o tempo não foi suficiente para que ele pudesse ler seu texto integralmente, mas as teses principais de sua comunicação foram apresentadas. Trata-se de uma interpretação do aforismo 1 do capítulo “Os melhoradores da humanidade”, que concede centralidade à noção de “moral como semiótica” para a compreensão de toda a reflexão de Nietzsche acerca dos fenômenos morais. O ponto de partida da interpretação de André Muniz é a questão da auto-evidência da moral, moral enquanto algo simplesmente dado. Nietzsche estaria exigindo do filósofo sobretudo um posicionamento que questione essa auto-evidência e que assuma o lugar da suspeita frente à moral. Antes de tudo, seria preciso compreender o caráter próprio da afirmação nietzscheana segundo a qual não existem fatos morais. Para André Muniz, essa afirmação implica uma crítica ao caráter convencional (e aqui ele se baseia no conceito de convenção de Josef Simons: Phiosophie des Zeichens) da interpretação moral do homem, pelo qual esta interpretação se tornou a mais evidente. Só se pode questionar filosoficamente um determinado fenômeno na medida em que este fenômeno não é visto como auto-evidente, e esta seria exatamente a exigência de Nietzsche ao reclamar suspeita frente à moral, isto é, desintegrar sua auto-evidência: “não existem fatos morais”. O próximo passo da argumentação é a compreensão de que a moral, enquanto crença, exige a comunicabilidade como seu elemento mais essencial. André Muniz se refere a Kant para sustentar essa tese: a pedra de toque da crença é a possibilidade de comunicá-la e torná-la válida para a razão de todo homem (CRP, B849/A821). Essa comunicabilidade, entretanto, não se baseia em nenhuma forma de raciocínio teórico, mas simplesmente no “tomar como verdadeiro” aquilo que deve ser comunidado (retornamos aqui ao problema da auto-evidência), motivo pelo qual Kant afirma que a crença é uma forma de pensamento moral da razão que toma como verdadeiro aquilo que não é acessível ao conhecimento. Nesse sentido, a moral seria um processo de compreensão (interpretação) que toma por verdadeiro aquilo que, segundo Nietzsche, é o mais problemático. Segundo André Muniz, este o ponto chave para a inserção da noção de compreensão plena (vollkommenes Verstehen), como o entende Josef Simon, na interpretação da perspectiva de Nietzsche, já que aquilo que é compreendido nesse sentido exclui a possibilidade de qualquer questionamento. Dentro desse contexto, moral seria semiótica no sentido em que tudo aquilo que faz parte do processo de compreensão é signo transmissível, comunicável. A evidência da moral se fundaria, em última instância, na evidência de signos de comunicação que não são mais questionados. Na seguida André explica a relação entre os conceitos de signo e de sintoma, relação que esclarece a visão de Nietzsche da moral como sintomatologia.
Como fechamento do dia tivemos a apresentação do volume: Letture della Gaia scienza – Lectures du Gai savoir, livro que reune os textos apresentados no último colóquio do GIRN.
Entramos no último dia do encontro com outras duas sessões paralelas: de um lado o tema era a Grécia, do outro as estruturas e intenções do CI enquanto livro. Confesso, entretanto, que estive presente somente em corpo em uma das mesas da primeira parte da manhã (o cansaço já começava a se manifestar), de forma que me pouparei de traçar comentários sobre esta sessão aqui, sob o risco de escrever bobagens. Os títulos e os resumos das comunicações podem ser vistos nos links que deixei no comentário à primeira postagem.
Na segunda parte da manhã fui assistir à palestra do Ernani Chaves, que falou sobre a visão de Nietzsche acerca de Platão no aforismo 2 do capítulo “O que devo aos antigos”. Partindo da declaração nietzscheana de que “Platão é entediante” (Plato ist langweilig), Ernani fez uma análise exaustiva do campo semântico do termo alemão langweilig, recuperando diversas acepções do termo, como a ideia de melancolia (Schwermut), tristeza, monotonia, desapontamento, amargura, desgosto (estas últimas palavras reunidas no campo semântico de Verdruß), assim como uma análise do substantivo Langweile, chamando atenção para sua relação com a ideia de um mal-estar existencial (existezielles Unbehagen), para classificar de forma exata o caráter da crítica nietzschana à figura de Platão no contexto de CI.
Após a comunicação de Ernani Chaves, Yanick Souladié, professor na universidade de Toulouse, apresentou seu trabalho sobre Sócrates e Platão no CI. Segundo ele, há ali uma mudança na recepção de Nietzsche das figuras de Sócrates e de Platão, principalmente com relação à interpretação de Sócrates presente em NT e de Platão presente nos cursos da época da Basiléia. A crítica nietzscheana desses personagens presente no CI deveria ser inserida no projeto de inversão dos valores. Se em NT Sócrates é visto como a personagem principal no contexto da decadência da tragédia e da dissolução do instinto propriamente grego, de forma que podemos estabelecer uma divisão entre Grécia trágica e Grécia socrática, este não é o caso em CI. Nesta última obra, Sócrates não é visto mais como causa, mas como ponto culminante de um processo já em andamento de dissolução do instinto grego, ou seja, ele perde a centralidade na narrativa da decadência da Grécia. A condenação da figura de Sócrates é agora justificada pelo fato de que ele teria impedido uma morte digna, “uma bela morte” da Grécia, a morte no momento certo, retardando seu processo de perecimento e instaurando assim uma morte lenta e decadente. Por sua vez, porém, Sócrates teria se concedido uma morte rápida e digna, uma bela morte, direcionando-se ao suicídio. Haveria aí, nesse sentido, uma certa diferença entre o homem Sócrates e sua doutrina. No caso da figura de Platão, poderíamos dizer, segundo Souladié, que ele é, de uma forma geral na obra de Nietzsche, mais apreciado do que Sócrates, principalmente no que diz respeito ao seu caráter legislador. No que pese as críticas radicais ao platonismo, a figura do homem Platão é frequentemente vista de um ponto de vista positivo. Em CI, porém, não é somente o platonismo enquanto metafísica idealista que é condedano, mas figura mesmo de Platão, enquanto homem e escritor. Ele é visto ali como pré-cristão e oposto, enquanto escritor, a todo o estilo romano. Como já havia mencionado Ernani Chaves na comunicação precedente, a acusação nietzscheana de que Platão é entendiante toca um ponto fundamental que vai além da simples crítica literária. A crítica ao estilo seria aqui extensiva à personalidade mesma do homem Platão. Durante a discussão, Andrea Urs Sommer perguntou pelo motivo da ausência de Platão em AC, já que em CI este é diretamente associado a uma forma de pensamento pré-cristã, como forma prototípica de tudo aquilo que viria a ser o cristianimo. Yanick Souladié considera este ponto efetivamente um problema e sugere que, apesar de todas as críticas de Nietzsche, ele continua vendo os personagens Platão e Sócrates com certo respeito e cuidado. Assim, no caso específico de Platão e de sua ausência em AC, a hipótese de Souladié é que Nietzsche consideraria injusto associar Platão diretamente ao cristianismo, tal como este é apresentado e criticado em AC, já que Platão, além de seu caráter como filósofo político, deve ainda ser visto como fundador de uma forma de pensamento particular. No caso do cristianismo, porém, tal como considerado historicamente em AC, a figura original do fundador desaparece e o que resta não é senão uma religião pregada por discípulos, na qual o caráter da individualidade, da particularidade se perde completamente dando lugar a uma vulgarização absoluta de uma ideia. Após a apresentação coloquei-lhe ainda as questões de qual seria o motivo que teria levado Nietzsche a reinterpretar a figura de Sócrates no contexto da decadência da Grécia antiga, retirando-lhe a centralidade nessa narrativa e vendo-o simplesmente como o ponto de expressão radical de um processo já em andamento, e ainda, já que Sócrates não é mais visto como causa desse processo, qual seria então essa causa. Questionei se a leitura que Nietzsche fez do livro Os céticos gregos, de Victor Brochard, não poderia tê-lo influenciado na sua releitura da decadência grega, já que o autor possui toda uma teoria sobre o processo de dissolução do espírito grego. A resposta de Yanick foi que a ideia da decadência do instinto grego já estava presente na filosofia de Nietzsche muito antes de sua leitura de Brochard, e que ele não está certo se essa leitura poderia ter contribuído de forma decisiva para sua reinterpretação em CI.
A sessão da parte da tarde contou com três apresentações: Céline Denat (“A figura de Platão no CI”), Werner Stegmeier (“Mesmo o mais corajoso entre nós raramente tem a coragem para aquilo que ele realmente sabe”. Limites do conhecimento filosófico segundo Nietzsche e sua arte da sentença”) e Giuliano Campioni (“Histrionismo da decadência e histrionismo dionisíaco: Wagner e Nietzsche”). A começar pela comunicação de Céline Denat, professora na Universidade de Reims, eu diria que seu trabalho constou em apresentar uma diferença na visão de Nietzsche de Sócrates e de Platão, no sentido de entendê-los como tipos completamente distintos, insistindo no caráter positivo da visão nietzscheana de Platão. Ela acentua a perspectiva política da intepretação do personagem Platão e sustenta que Nietzsche vê em sua figura um forte caráter legislador. Digno de nota seria a interpretação da mentira de Platão no contexto da constituição de sua república, a mentira que deve ser contada aos guardiões para que eles se mantenham em seus postos e tornem possível a estruturação do estado. Segundo Nietzsche, haveria aí uma verdadeira hipocrisia, fundada numa motivação política, e que colocaria em questão a vontade de verdade presente no idealismo platônico. Ou seja, para Nietzsche, Platão concederia claramente um privilégio à política frente ao idealismo. Em linhas gerais, a preocupação de Céline Denat em sua comunicação foi de salvaguardar a figura de Platão e lhe conceder um lugar particular no pensamento de Nietzsche, notadamente em CI, apesar das críticas direcionadas ao personagem. Após a comunicação, Yanick Souladié, que acabara de apresentar seu trabalho sobre o mesmo tema, porém a partir de uma interpretação oposta, coloca a questão que havia guiado sua leitura. A seu ver, a particularidade de CI seria justamente de inverter a relação entre Platão e Sócrates (no sentido de que agora Sócrates é visto como superior à Platão), concedendo um novo lugar a este último na narrativa sobre a Grécia e condenando o filósofo e o homem Platão como pré-cristão e, principalmente, como estiliscamente decadente e entendiante (condenação grave, se pensarmos na relação particular de Nietzsche com a questão do estilo). Ou seja, CI não seria de forma nenhuma o lugar de uma consideração positiva de Platão, antes pelo contrário, seria o lugar de sua condenação. A resposta de Céline Denat consistiu em dizer que a crítica de Nietzsche ao estilo de Platão é estratégica no sentido de se opor à interpretação corrente de Platão como um bom escritor e literato, com o intuito de chamar a atenção para o fato de que o que há de mais digno em Platão não é de forma nenhuma o estilo e a escritura, mas o projeto filosófico/político como um todo. Andrea Urs Sommer também colocou a mesma questão que ele já havia colocado à Yanick, a saber, como Céline Denat explicaria a ausência de Platão em AC, tendo em vista que em CI ele é considerado como pré-cristão. Segundo Céline, essa ausência se explicaria pelo fato de que Nietzsche considera o cristianismo na verdade como uma má leitura de Platão, de forma que o que haveria de efetivamente valoroso no pensamento platônico é deixado de lado em prol de uma radicalização do idealismo e do motivo da transcendência. Nesse sentido, seria ilegítimo inserir a figura Platão no contexto de uma análise do cristianismo, tal como esta é desenvolvida em AC.
Na penúltima comunicação do encontro fomos contemplados com uma bela e profunda exposição de Werner Stegmeier, um dos maiores nomes da Nietzsche-Forschung atual, professor em Greifswald. Partindo do aforismo 2 do capítulo “Sentenças e setas” (“Mesmo o mais corajoso entre nós raramente tem a coragem para aquilo que ele realmente sabe”), Stegmeier analizou tanto seu conteúdo quanto sua forma, refletindo sobre a arte da sentença e sobre os limites do conhecimento filosófico. A forma da sentença, segundo ele, comprime intuições e juízos surpeendentes em uma única frase. Ela é a forma mais curta do aforismo e, entre as formas da escritura filosófica de Nietzsche, a mais densa, a mais difícil de analisar e por isso, talvez, a mais interessante do ponto de vista filosófico. Stegmeier faz referência a algumas passagens de Nietzsche, onde ele afirma que “há sentenças nas quais toda uma cultura, toda uma sociedade se cristalizam repentinamente” (ABM 235), ou ainda: “por isso temos o direito de pronunciar, em sentenças, algo duvidoso sem nenhuma hesitação” (N 1876/77, 20 [3]). Ademais, as sentenças podem ser lidas separadamente, sozinhas, solitárias. Enquanto setas, flechas, elas devem atingir e ferir, talvez até mesmo matar. Stegmeier fala do Zaratustra de Nietzsche, de como seu discurso tem a potência de se tornar sentença, e cita algumas passagens nas quais a característa fundamental da sentença é trazida à luz de forma evidente: “A sentença fremente de paixão; a eloqüência tornada música; raios arremessados adiante, a futuros ainda insuspeitos” (EH, Za 6). Aqui, afirma Stegmeier, a estrutura proposicional da frase gramatical é modificada. Não se encontra o verbo, ligando um sujeito a um predicado. Tudo aquilo que é irrelevante é retirado, só aquilo que comprime a força do pensamento tem direito a um lugar na sentença. Ele diz ainda que Nietzsche, inicialmente, entremeou sentenças (Sprüche) em seus livros de aforismos, como em HH, A ou GC, mas somente em ABM ele ousou a plublicação de um conjunto somente de sentenças, “Sprüche und Zwischenspiele“. O segundo conjunto, “Sprüche und Pfeile“, em CI, seria o mais pleno e mais denso. Na sequência, Stegmeier apresenta o que ele interpreta como sendo a preparação para a confrontação com os limites do saber, a partir do aforismo 1 do capítulo em questão. Trata-se da noção de “ócio” do psicólogo. Ele chama atenção para o fato de que o termo “ócio” implica fundamentalmente uma ausência de compromisso com um objetivo determinado para uma tarefa. No ócio a tarefa não se direciona diretamente a uma meta, e exatamente por isso permanece aberta ao novo, ao surpreendente, ao auto-questionamento; ela é, nesse sentido, um prova para a grande saúde. Aqui ele entra no aforismo central de sua análise, a sentença: “mesmo o mais corajoso entre nós raramente tem coragem para aquilo que ele realmente sabe”, dizendo que essa senteça pode ser, para o filósofo, mortal. Ele faz então uma análise da preparação da sentença, recorrendo a cartas de Nietzsche nas quais várias formas iniciais da sentença são apresentadas, antes de se chegar à sentença final. Por último, a sentença é trazida para o interior da reflexão sobre o niilismo. Segundo Stegmeier, ela conduz para além do niilismo. Coragem é a disposição para a ação sob o risco, na incerteza do ponto de chegada e do ponto de partida. O pano de fundo dessa sentença seria essencialmente a reflexão sobre o niilismo, e Stegmeier se refere ao fragmento póstumo 9[123] de 1887: “Sobre a gênese do niilista. / Tem-se somente tarde a coragem para aquilo que se sabe”. O ponto chave da argumentação é o fato de que, em última instância, o saber, o pensamento, não possui objeto, ele corre em direção ao nada. Mesmo o niilismo, enquanto objeto de reflexão, ainda é capaz de tranquilizar, pois instaura algo a ser pensado. Mas o niilismo enquanto tal é a ausência absoluta de objeto do pensamento (absolute Gegenstandslosigkeit des Denkens). Não há, portanto, um saber sobre o niilismo. O saber nada sabe (Das Wissen weiß nichts). O niilismo não é nem mesmo pronunciável. Assim sendo, Nietzsche deixa de lado o termo “niilismo” na sentença em questão. Ele não é senão a ausência de objeto do pensamento. Ele só vem a ser verdadeiramente niilismo quando se sabe que não se pode saber a seu respeito e que não podemos nem mesmo nos tranquilizar com sua nomeação. O niilismo só se deixa compreender em uma sentença que não o pronuncie. Como resposta a uma questão colocada por um dos ouvintes, acerca do lugar do filósofo nessa trama dos limites do saber filosófico, Stegmeier responde que o filósofo é aquele que é capaz de realizar um experimento de pensamento no qual ele pode perecer.
Infelizmente, após essa comunicação, que, confesso, me tocou de uma maneira particular, com o cansaço já batendo insistentemente, e pelo fato de que a última palestra, de Giuliano Campioni (“Histrionismo da decadência e histrionismo dionisíaco: Wagner e Nietzsche”) foi em italiano, não fui capaz de acompanhá-la. Termino por aqui, pois, essa resenha, já que o que ocorreu depois foi somente uma discussão sobre o formato e sobre a temática do próximo encontro, que ocorrerá em Greifswald e tematizará os prefácios de Nietzsche. Não se sabe ainda se os textos apresentados nesse encontro serão publicados em livro, como os do encontro passado, mas tendo em vista a plataforma de publicações online que está sendo organizada, acredito que ao menos ali eles serão publicados.



